Suspenso

Silêncio.
Tudo suspenso.
Parece que o dia parou.
Ou foi o mundo que parou?
Ou foi o tempo...
Tudo parado, suspenso...
Parado, silêncio, suspenso lá fora,
porque aqui dentro tudo é movimento,
movimento contínuo, barulho, tormento.
Embora tudo lá fora continue suspenso,
no meu mundo interno sempre há coisa acontecendo.
Amores, dores, cores e formas nascendo, todo o tempo.

Procurando o Coelho Branco

Quem era aquela pessoa com olheiras que olhava para ela do outro lado do espelho?
O rosto até era familiar, mas tinha algo a mais naquele olhar e não eram as olheiras que teimavam em aparecer...
Tinha algo a mais. Angústia? Dor? Tristeza? Ansiedade? Ou será uma alegria diferente, uma alegria que doia, que queimava, que sangrava?
Aliás, de onde vieram tantos sentimentos, de onde viera tamanha sensibilidade? E aquele romantismo idiota e absurdo que se alojara dentro dela, trazendo junto consigo outros visitantes - sonhos, devaneios, desejos... - sem pedir permissão???
Como alguém pode vir à sua casa sem ser convidado e ainda trazer outras companhias para se alimentar da sua energia, da sua vitalidade?
Não, ela não entendia. Como alguém tão focada em resultados podia gastar tanto tempo sonhando com o princípe encantado, com alguém que tocaria não apenas o seu corpo mas também a sua alma, alguém que a ensinaria a amar, a querer, a esperar - mesmo que esperar em vão - o ser amado?
Como ela poderia querer encontrar alguém que tocasse a sua alma e a levasse a dimensões desconhecidas, a universos mágicos, a um mundo etereo, com castelos de cristais construidos no ar? O mesmo universo mágico das fadas, das bruxas, dos anjos, dos magos, dos elementais... o universo onde tudo é possível, onde se ouve sons que ninguém mais escuta, onde tudo tem mais vida... onde tudo é realmente mágico...
Quanta besteira!!! Como podia ser tão infantil? Mas, no fundo, ela queria habitar este reino só por um momento, só por um segundo. Queria sentir todo o torpor de uma paixão, toda a sua força, seu poder...
Não. Ela não estava pedindo por castelos em terras distantes e finais felizes para todo o sempre. Não. Ela só pedia por um pouco de magia, de encantamento. Só pedia para sair um pouco das terras desertas e sem graça da lógica, da impecabilidade da razão, das teorias perfeitas que explicam o Universo e os seres humanos... e caminhar livremente, alegremente pelo reino mágico e ilógico do sentimentos e das sensações...
Ela se sentia como Alice, procurando pelo Coelho Branco. Esperava também achar o caminho para a toca do Coelho e entrar em um mundo mágico, nem que fosse para pouco depois despertar e descobrir que todo aquele reino mágico fora apenas um breve sonho...

Relax

Hoje ia escrever um conto para a Caixa, mas aproveitei para relaxar e ficar vendo alguns videos. Revi este, que tem tudo a ver com a visão que eu tenho da paixão...e a eterna luta razão x emoção:




Em breve coloco outros textos por aqui...

Opostos

Eros e Thanatos
Vida e Morte
Luz e Sombra
Yang e Yin
Dia e Noite
Progresso e Estagnação
Movimento e repouso
Duas faces de uma mesma moeda
Duas energias que se entrelaçam e se complementam
Duas forças opostas dentro de mim
Qual delas prevalecerá?

A Primavera

"Muda a estação
Necessário e são
Você a florecer
Calmamente, lindamente..."
(Só Agora - Pitty)


Ela vivera muitas estações ao longo de muitos anos.

Mas este inverno estava sendo diferente e ela sabia que a primavera, prestes a chegar, traria consigo o seu próprio florescimento. Um florescimento pelo qual ela esperara durante muitos anos. Esta seria a SUA primavera, o seu tempo de desabrochar, de se abrir para o mundo, de florescer, como uma flor que levara mais tempo do que o esperado para deixar de ser um botão, para deixar de ser a promessa de uma flor e transformar-se no que deveria de fato ser.

E ela estava pronta. Sentia isso em cada célula do seu corpo. Pronta não apenas para desabrochar, mas também para deixar esta energia, que a tomava, a invadia, transbordar e alcançar outras pessoas ao redor.

Por muito tempo esperara pela sua primavera. Se preparara para ela... E então, a primavera chegara.

Dúvida


"Alguém me interne no paraíso,
Preciso urgente dar um tempo por lá!
O dia passa enquanto eu perco o juízo"
Pitty

Na memória,a adolescente confiante e corajosa.
No espelho,a adulta cansada e insegura.
Na mente, a dúvida: quando me perdi de mim mesma?quando deixei de ser quem eu era, para me tornar quem eu sou hoje?

A Batalha



"Não me entrego sem lutar
Tenho, ainda, coração
Não aprendi a me render
Que caia o inimigo então."

Ele não estava acostumado a ouvir não. Ela não estava acostumada a dizer sim. Porém, ela estava sentindo que estava cedendo. Sentia que a qualquer momento perderia esta guerra contra seus sentimentos.

A batalha dentro dela era intensa. Ela se sentia sendo puxada para um lado, pela razão, e para o outro, pela emoção. Por muito tempo ela acreditara que a razão ganharia esta batalha, mesmo porque, sua natureza era racional. Ela sempre ponderava cada aspecto, olhava as situações por vários ângulos e pesava também as consequências de seus atos, não apenas as consequências que a atingiriam, mas também o que as suas decisões afetariam na vida das outras pessoas, de todos que estavam ao seu redor.

Este comportamento calculista a havia feito resistir todo este tempo, afinal, sabia que aquele tipo de envolvimento com ele não daria em nada e poderia acabar prejudicando - ou machucando - um dos três envolvidos. Sim, ela estava no meio de duas pessoas e sabia que não poderia ter os dois. Ficar com os dois ia totalmente contra os seus princípios e, mesmo que mantivesse uma situação assim por um tempo, como uma pessoa bastante lógica sabia que uma hora teria que optar por um dos dois, teria que escolher quem ela realmente queria ao seu lado, com quem gostaria de dividir a sua vida.

Mas estava difícil continuar falando "não" para a terceira pessoa. Seus sentimentos estavam pressionando-a. Por mais racional que uma pessoa seja, por mais que ela aprenda a lidar com seus sentimentos, como dominá-los, como eliminá-los? O conflito dentro de si era grande, a vontade de ceder, de se entregar, de vivenciar isto - nem que fosse apenas por uma única vez - se tornava cada dia maior. Perguntava a si mesma, quanto tempo mais aguentaria?

E valia a pena lutar tanto tempo contra si mesma? Por mais que invocasse a razão, tinham respostas que a sua mente não conseguia obter por que ninguém podia afirmar com certeza como seria o seu futuro, qual reação viria de cada ação sua. Como seria se ela se deixasse levar, se ela abandonasse o controle e a razão apenas desta vez? Só havia uma maneira de saber... e era justamente através da entrega, mas, como alguém sempre acostumada a estar no controle, ela não sabia como fazer isso...

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