Há tempo


"Todos os dias quando acordo
Não tenho mais
O tempo que passou
Mas tenho muito tempo
Temos todo o tempo do mundo"
(Tempo perdido - Legião Urbana)



Há tempo para tudo.
Estudar.
Trabalhar.
Descansar.
Curtir.
Beber com os amigos.
Trocar ideias mais sérias com estes mesmos amigos ou com outro grupo de amigos.
Há tempo para ser feliz, para se frustrar, para se deprimir, para recomeçar a acreditar novamente.
Para tentar (e conseguir!) fazer melhor desta vez.
Há tempo para tudo.

A garota corinthiana


Ela estava lá. Sentada na mesma sala que eu, com seu agasalho do Corinthians, matriculada no mesmo curso de pós graduação.

Não me lembro de termos conversado em algum momento.O excesso de alunos em sala também não colaborou, me fazendo não perceber a sua presença. Até quando um ex-namorado perturbado ateou fogo nela e a notícia veio até mim, via e-mail.

Vida queimada, sonhos queimados, tudo se foi... O que fica é a indignação, é o medo da violência, da insanidade das pessoas, da injustiça que se vê todos os dias em um país onde não há leis, onde a impunidade reina, onde todos nós estamos vulneráveis... Fica também a dor de amigos e parentes que nada podem fazer além de uma última homenagem, de uma despedida usando a camiseta do Corinthians para que ela se sinta em um estádio pela última vez...




"Eu não tenho medo que o mundo acabe em 2012. 
 Eu tenho medo que ele continue como está"
Autor Desconhecido


Tinha este vicio - algo quase patológico - de esconder os próprios sentimentos, os próprios pensamentos.

Não gostava de se expor. Achava que exposição era sinonimo de vulnerabilidade. E não gostava de ficar vulnerável.

Por fora um ar meio distante, aéreo  como se fosse completamente indiferente às coisas que aconteciam ao seu redor.

Por dentro um turbilhão de pensamentos, sentimentos, sensações, emoções (aqueles que escondia de forma quase patológica...). Vontade de fazer a diferença, de ajudar pessoas, de contribuir de alguma forma.

Sentia que tinha algo errado com o mundo e, no entanto, a maioria das pessoas fingiam não notar...

Embora algumas pessoas até reclamem, teorizem ou apontem culpados para a violência, fome, guerras e injustiças em geral, quantos- efetivamente - fazem alguma coisa? Quantos contribuem para uma mudança de cenário?

Ela não queria ser mais uma a apenas criticar...

Amor

"Você me bagunça e tumultua tudo
em mim (...)
Me desassossega, rega a alma, roga a
calma em minha travessia"
(O Teatro Mágico)






Dizem que tudo tem dois lados. Um bom e um mau. Um lado luz e um lado sombra...

Se tudo tem dois lados, logo o amor não pode ser diferente, não pode escapar a regra...
Logo, faz bem e faz mal. Preenche e ao mesmo tempo nos dá uma imensa sensação de vazio... Uma sensação de estar faltando algo... como se estivesse faltando, dentro de nós, a pessoa amada...

Nós traz planos de construir um futuro, mas também nos traz o medo de perder, de não ter, de não ver concretizar. Medo das tempestades de verão que, apesar de durarem pouco, são intensas e fazem estragos...Medo dos furacões, que chegam tirando tudo do lugar, e mandando para longe o que outrora parecia imóvel, permanente e seguro...

Dizem que tudo tem dois lados. Logo o mesmo amor que dá forças nos torna frágeis, vulneráveis... O mesmo amor que protege, acalenta, acalma, nos expõe, expõe nossas feridas, nossos pontos fracos, nosso medos mais profundos, mais infantis... O medo de ser deixado, de ser trocado, de ser dispensável àqueles que nos são essenciais ou achamos que são...

Dizem que quanto mais intensa a luz, mais escura a sombra. Será então que quanto mais forte o amor, mais frágeis e vulneráveis nos tornamos?

Eu a vejo...

Eu a vejo caminhando na neblina, em direção ao precipício... Não posso segui-la, porque este caminho que você está trilhando, eu não conseguiria trilhá-lo novamente (sim, eu também já estive ai ...).

Não posso segui-la, mas posso vê-la caminhar... Posso vê-la caminhar, mas será que posso impedi-la de cair???

Será que você conseguiria ouvir minha voz chamando-a e pedindo para afastar-se daí? Não encontrará nada lá embaixo, porque seu lugar é aqui...

Como convencê-la disto??? Como mostrar-lhe que Nix só é uma boa anfitriã quando ela mesma decide buscar o seu convidado? Como mostrar-lhe que cada um tem seu papel, sua importância, seu lugar no mundo?

Não quero ficar aqui, parada, vendo-a caminhar para o nada... quero poder segurar a sua mão e levá-la a um lugar seguro, deixando a salvo de tudo que possa fazer-lhe mal... salvando-a inclusive de si mesma...Me ajude. Me ensine como fazer isso e eu farei....


Fique

"Não precisa vir se não for pra ficar..."


Lá fora o barulho do vento. Em sua sala, o barulho do celular avisando que acabara de receber uma nova mensagem.
Quando ela vê a mensagem e seu remetente a sua expressão a trai, demonstrando a surpresa.
Logo agora, que tinha conseguido se livrar do vicio de pensar nele todo o tempo.
Logo agora.
Não conseguia entender...como ondas que vem e depois se vão, num movimento contínuo, ele também vem sem avisar quando ela menos espera e parte da mesma forma, sem dar indícios se retornará ou não.
Mais uma vez ele retorna. Porque vem, se não consegue ficar?
Por que se vai, se voltará a seguir?
E porque ela não conseguia lhe pedir para ficar ou ir embora de vez?

Venha!

Quem sabe estejamos buscando as mesmas coisas?
Quem sabe possamos trilhar este caminho juntos?



Venha, estranho misterioso!
Sente ao meu lado, me olhe nos olhos, me olhando docemente com seu olhar contemplativo, como alguém que está estudando o que vê a sua frente.

Venha, estranho misterioso!
Deixe-me conhecê-lo. Segure a minha mão, me olhe nos olhos e comece falando sobre coisas triviais: como foi seu dia, o que você faz, o tempo hoje, está muito frio? Está muito quente? O tempo passou rápido ou se arrastou?

Então, meu querido estranho, veja-me te olhando docemente, com meu olhar contemplativo. Veja que pode confiar em mim e se mostre, se revele. Me deixe conhecê-lo. Fale sobre você: seu passado, seus sonhos infantis... quais deles você ainda acalenta em sua alma? Qual deles lhe motiva a sair da cama e a ser o melhor que você pode ser todos os dias?

Sim, meu agora não tão estranho, me fale sobre o que sente, o que busca, o que quer para sua vida... Deixe-me compartilhar com você o que eu sinto, o que eu busco, o que eu quero para minha vida... Quem sabe estejamos buscando as mesmas coisas? Quem sabe possamos trilhar este caminho juntos?

Venha!

** texto escrito para alguém quem continua sendo um mistério para mim... um alien, um anjo ou alguém para esquecer? I don't know...

Ausência de Palavras

"E a palavra vem
Pequena
Querendo se esconder no silêncio
Querendo se fazer de oração"
(Palavra - Teatro Mágico)



Ausência de palavras...

Sentimentos? Sim, lá no fundo, encobertos pela névoa que me impede de vê-los, tocá-los, sentí-los para então transformá-los em palavras... Como hieróglifos, esperando por seu tradutor, por alguém que possa decifrar o que está escrito ali...

Há algo presente em minha alma.Eu o sinto, Sinto um sentir vago, um sentimento indefinido, entorpecido... Como um vulto que vejo de relance, mas, ao tentar fixar os olhos nele o mesmo some,desmaterializa-se, como uma criança brincando de esconde-esconde... cada vez que acho que cheguei perto, ela aproveita meu equívoco para esconder-se em outro lugar.

Como encontrar algo quando eu não sei o que estou buscando? Como definir algo que não sei o que é em palavras? Como enxergar o que parece não estar aqui? Como escutar o que ninguém está dizendo? Como ouvir o que minha alma sussurra em um tom quase inaudivel?

Como fazer a palavra vir, mesmo que pequena e tentando se esconder no silêncio?


** Texto escrito em 15/03/2011, quando eu estava com muita dificuldade em escrever.

Silêncio



"Não vou viver, como alguém que só espera um novo amor
Há outras coisas no caminho onde eu vou"
(Pra rua me levar - Ana Carolina)

Seus sonhos.
Onde estão?
Seus olhos.
Por que perderam o brilho?
Seu sorriso.
Por que está tão sumido?
Sua pele.
Nunca mais será tocada...
Seus desejos de vida foram tomados.
Pelas mãos daquele que julgava ser seu.
Seu herói, seu anjo.
Mas tudo foi um engano.
Cantaram os parabéns sem a aniversariante.
Onde está ela, posso saber?
Ela está lá...

Aquele lugar sagrado...
Que pertence apenas para os especiais.
Aquele lugar mágico...
Que pertence só aos decepcionados.
Ela está lá, naquele templo.
De sonhos, de tristeza.
Feito da melhor das ilusões.
Um pedaço de sonho e um pouco de esperança.
Foram os ingredientes necessários para criar esse lugar.
Seus sonhos não foram sonhados.
Suas palavras não foram ditas.
Sua tristeza não foi revelada.
Ela apenas deixou tudo quieto.
Tudo como estava.

Seu último sussurro continua em silêncio...
P.S: Este texto não foi escrito POR mim, mas foi escrito PARA mim, pela minha irmã, quando meu relacionamento de 9 anos terminou...

Cedo demais



Queria que vc tivesse chegado mais tarde...
Você chegou cedo demais... eu não estava preparada para recebê-lo...
Uma flor rara, dada a quem não tinha ainda maturidade e conhecimento suficiente para cuidar de algo tão preciso. E tudo se perdeu...

Nós

"Me responda, por favor, para onde vai o amor quando o amor acaba?"
Chico Buarque


No começo eu era eu.
Ele era ele.
Nos encontramos.
Nos tornamos nós.
Dividimos sentimentos, pensamentos, planos para o futuro; sonhamos acordados, idealizando realizações, casa, família...
Dividimos espaço físico, tempo, anos, vidas...
Eramos nós.
Algo desandou, a vida nos empurrou para lados diferentes, caminhos diferentes.
O "Nós" voltou a ser "eu", voltou a ser "ele".
O castelo de sonhos projetados no ar, no futuro, desmoronou no presente, derrubando tudo o que foi construído no passado.
Como limpar a bagunça, como lidar com as ruínas? Como remover o entulho para deixar o terreno limpo para ser construído algo novamente?
Onde jogar as ilusões, os sentimentos, as frustrações, os hábitos rotineiros da vida a dois?
Onde aprender a ser somente eu novamente?
Dizem que o tempo mostra, o tempo leva, o tempo cura as feridas, o tempo põe tudo no lugar. Mas quanto tempo leva para o tempo fazer tudo isso?

** este texto foi escrito em 16/06/2010, mas publiquei-o apenas agora.

Tarde demais


"E não adianta nem me procurar
Em outros timbres e outros risos
Eu estava aqui o tempo todo
Só você não viu"
(Pitty)

Ele não podia acreditar no que acabara de ouvir. Não aceitava o ocorrido. Como ela pôde fazer isso? E onde estava ele que não pôde impedí-la?

Quando o término do relacionamento deles mostrou-se algo inevitável, sofrera muito. Quando tentaram voltar, se manteve distante, com medo de sofrer novamente. Mais uma vez o relacionamento acabara.

Ele passou a viver no futuro. Projetou um futuro próspero e feliz, onde os dois, renovados, mais fortes, bonitos - como duas fenix renascidas - mais maduros emocionalmente, mais estabilizados financeiramente, retomariam a relação e seriam felizes para todo o sempre. Porém, o ato cometido por ela tirara-lhe toda a esperança.

Agora sabia que o futuro idealizado nunca seria concretizado. Pelo menos não com ela.

Acontecera o que ele tanto temia. Ela se entregará ao lado sombrio, a depressão e suas ideias fixas de colocar fim à tudo. Estava tudo acabado.

Ele se culpava por não ter lutado por ela, por não ter estado presente. Não tivera pressa em buscar o que queria, porque achara que sempre estaria ali, ao alcance de sua mão.

Ficara olhando tanto para o amanhã, que deixara o hoje e a pessoa que mais lhe importava escapar entre seus dedos.

Nada era capaz de amenizar a sua dor e sua culpa. Se culpava por não ter estado mais perto, por não ter visto que nos últimos meses ela pedia por socorro. Um pedido mudo, implicito em reclamações de estresse, de cansaço de tudo, de falta de ânimo para continuar sua jornada...

Sabia que a dor não a traria de volta, mas sentia seu mundo desmoronar. Somente agora via, com toda clareza, o quão grande era o sentimento que os unia.

Mas agora era tarde demais...

Cansaço

Tudo perdeu o sentido.
Como assim? Não se perde o que não se tem.
Nada nunca teve sentido.
Nunca teve um começo, nem terá um fim. Existem apenas ciclos se repetindo incessantemente...exaustivamente... como um pequeno chuaua correndo atras do próprio rabo, sem conseguir alcançá-lo...

Deixar ir...


"It's gone... sad but true, it's over. .."


Ela tentou ligar. Uma, duas, três vezes. Ninguém em casa.

Estava ansiosa. Sabia que a relação havia acabado há tempos. De ambos os lados. Era hora de assumir isso, oficializar. Deixar ir.

Deixar ir. Anos de relacionamento. Momentos, lembranças, projetos, planos para um futuro à dois. O que aconteceu? Quando tudo começou ir ladeira abaixo? Onde o fim começou? Sentia que o relacionamento sufocava a ambos e não preenchia nenhum dos dois...

Sabia também que não havia culpados. Ambos tentaram. Mas a vida resolvera separar os caminhos, levando cada um para um lado diferente.

Deixar ir. Momento de soltar.De aceitar. Aceitar que tudo mudou...

Resolvera viver a própria vida, cuidar de si. Olhar para o futuro. Se abrir para novas possibilidades, novas experiências.

Sim, seria necessário lidar com a ansiedade, a frustração, a solidão... mas sentia que estava preparada para isso. Preparada para enxergar o que durante muito tempo se recusara a ver... Preparada para deixar ir...

Instante

Num instante,
tudo mudou,
tudo ficou distante.
E fui invadida por uma dor que dói não sei onde...

Sobre o Tempo



O tempo, o tempo, o tempo
sempre o tempo...
O tempo cura, o tempo sara,
o tempo mostrará, o tempo levará, o tempo trará de volta...
O tempo, o tempo, o tempo...
Mas será que temos todo este tempo para esperar?
Será que o tempo presente não é o único que deve importar?
Porque ficar a esperar o tempo passar?

Textos Inacabados

"O primeiro a escrever versos em folhas secas para o acaso levar. De que me adianta anotar frases que não vou usar?

Linda, já não faz diferença..."
(Linda, a dor não é tão glamurosa assim afinal - Dance Of Days)



TEXTO I

Ela havia sido avisada. Várias vezes. De várias formas. Por várias pessoas diferentes.
Mas, como dizem, o pior cego é aquele que não quer ver, ou no caso dela, o pior surdo é aquele que se recusa a ouvir.
Ela se recusou a ouvir. Se deixou enganar. Talvez por carência, talvez por comodismo, talvez por imaturidade ou simplesmente por que não queria acreditar.
E seguiu se enganando. Seguiu vendo nele a pessoa que ela queria ver, a pessoa que ela gostaria que ele fosse, o príncipe encantado que agia como seu guardião, seu protetor...
Contrariou a sua própria lógica e foi arrastando uma situação que não deveria ser arrastada, um relacionamento que só existia na cabeça dela...E para quê? Para no final ver que se enganara todo o tempo... que as pessoas realmente estavam certas... que ela mesma estava certa em todas as vezes que admitira para si mesma que não deveria continuar.
No fim ele se mostrara mais um como todos os outros... Alguém egoísta e preocupado consigo mesmo... Talvez pior do que todos os outros...

TEXTO II

Veio do nada.
Não sei de onde surgiu.
E se foi da mesma forma,
sem dizer adeus.
Tudo isso aconteceu?
Ou foi apenas um sonho meu?
Uma ilusão?
Será?

TEXTO III

Dalila se preparava para ir dormir. Terminou de se vestir, apagou a luz. Deitou. E foi invadida por uma sensação de paz e amor que há muito não sentia. Mas a sensação lhe era extremamente familiar...
Dalila conhecia aquela sensação. Embora tivesse sido tomada por ela apenas uma vez, era uma sensação tão intensa, tão conhecida. E tão aconchegante. Era um retorno ao lar. Não a sua casa de infância. Não. Era um retorno ao verdadeiro lar.
Ela então fechou os olhos e ficou apenas sentindo. Esta sensação começava no coração. Era quente, mas agradável, como um sol de fim de tarde. Era como se seu coração não apenas estivesse aquecido, mas estivesse também se expandindo. Era como se um sentimento de amorosidade transbordasse do coração para o resto do corpo, espalhando-se por todas as suas células.
Não. Não era apenas o coração que se expandia. Era seu Ser, sua alma. Dalila toda se expandia, como se aumentasse de tamanho, como se não tivesse mais limites. Tocava o infinito. A Fonte. Acessava algo muito maior que si mesma e continuava se expandindo. E essa sensação de expansão e amorosidade trazia uma paz incomparável.

O Louco

"Mas pra quem tem pensamento forte o impossível é só questão de opinião E Disso os loucos sabem Só os loucos sabem!"
(Só os Loucos Sabem - Charlie Brown Jr.)


Sem ponto de partida...
Sem ponto de chegada...
Sem manuais, sem rumo, sem porto, sem um lugar para chamar de seu...
Leva apenas o necessário, o essencial.
Sorri para quem cruza o seu caminho, mas deixa que cada um siga para onde achar melhor.
Ele também seguirá por aí... sem rumo, sem porto, sem um lugar para chamar de seu...
Vai para onde a vida o levar. Apenas segue.
Sabe que tudo é ciclíco, que tudo são fases, então não se apega demais, não deseja o "para sempre".
Prefere o "infinito enquanto dure".
Sente que uma força o acompanha e ela aponta a direção. Ele apenas segue...
É chamado de Louco, mas eu o vejo daqui de onde estou. Acompanho seus passos. Acompanho sua aparente falta de rumo e não consigo ver loucura no Louco. Vejo sabedoria, vejo alguém que aprendeu o que a maioria das pessoas teimam em não querer ver: tudo é ciclico, tudo são fases, tudo está em constante mudança e movimento, então não há fins, não há perdas. Há apenas re-começos, novos começos de coisas que também se transformarão e passarão no momento que tiverem que passar, independente de nossa vontade, independente de serem boas ou ruins.
Sim, ele aprendeu algo que a maioria das pessoas não quer aprender.
E ele apenas segue...

Suspenso

Silêncio.
Tudo suspenso.
Parece que o dia parou.
Ou foi o mundo que parou?
Ou foi o tempo...
Tudo parado, suspenso...
Parado, silêncio, suspenso lá fora,
porque aqui dentro tudo é movimento,
movimento contínuo, barulho, tormento.
Embora tudo lá fora continue suspenso,
no meu mundo interno sempre há coisa acontecendo.
Amores, dores, cores e formas nascendo, todo o tempo.

Procurando o Coelho Branco

Quem era aquela pessoa com olheiras que olhava para ela do outro lado do espelho?
O rosto até era familiar, mas tinha algo a mais naquele olhar e não eram as olheiras que teimavam em aparecer...
Tinha algo a mais. Angústia? Dor? Tristeza? Ansiedade? Ou será uma alegria diferente, uma alegria que doia, que queimava, que sangrava?
Aliás, de onde vieram tantos sentimentos, de onde viera tamanha sensibilidade? E aquele romantismo idiota e absurdo que se alojara dentro dela, trazendo junto consigo outros visitantes - sonhos, devaneios, desejos... - sem pedir permissão???
Como alguém pode vir à sua casa sem ser convidado e ainda trazer outras companhias para se alimentar da sua energia, da sua vitalidade?
Não, ela não entendia. Como alguém tão focada em resultados podia gastar tanto tempo sonhando com o princípe encantado, com alguém que tocaria não apenas o seu corpo mas também a sua alma, alguém que a ensinaria a amar, a querer, a esperar - mesmo que esperar em vão - o ser amado?
Como ela poderia querer encontrar alguém que tocasse a sua alma e a levasse a dimensões desconhecidas, a universos mágicos, a um mundo etereo, com castelos de cristais construidos no ar? O mesmo universo mágico das fadas, das bruxas, dos anjos, dos magos, dos elementais... o universo onde tudo é possível, onde se ouve sons que ninguém mais escuta, onde tudo tem mais vida... onde tudo é realmente mágico...
Quanta besteira!!! Como podia ser tão infantil? Mas, no fundo, ela queria habitar este reino só por um momento, só por um segundo. Queria sentir todo o torpor de uma paixão, toda a sua força, seu poder...
Não. Ela não estava pedindo por castelos em terras distantes e finais felizes para todo o sempre. Não. Ela só pedia por um pouco de magia, de encantamento. Só pedia para sair um pouco das terras desertas e sem graça da lógica, da impecabilidade da razão, das teorias perfeitas que explicam o Universo e os seres humanos... e caminhar livremente, alegremente pelo reino mágico e ilógico do sentimentos e das sensações...
Ela se sentia como Alice, procurando pelo Coelho Branco. Esperava também achar o caminho para a toca do Coelho e entrar em um mundo mágico, nem que fosse para pouco depois despertar e descobrir que todo aquele reino mágico fora apenas um breve sonho...

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